Minha opinião: o desafio de equilibrar as contas sem pesar no bolso.
Na minha opinião, o Brasil está diante de um dos maiores desafios econômicos dos próximos anos: conseguir controlar a dívida pública e fazer um ajuste fiscal sem prejudicar justamente quem mais depende da economia funcionando bem.
Não sou contra o ajuste fiscal. Pelo contrário. Acredito que o governo precisa ter responsabilidade com as contas públicas. Um país não pode gastar permanentemente mais do que consegue sustentar. Quando a dívida cresce demais, aumenta a desconfiança, os custos financeiros ficam maiores e sobra menos espaço no orçamento para investimentos e políticas públicas.
Mas também acredito que existe uma diferença muito grande entre fazer um ajuste fiscal responsável e simplesmente cortar gastos.
Para mim, o primeiro lugar a ser discutido deveria ser a qualidade do gasto público. Antes de pensar em reduzir aquilo que chega ao trabalhador, é preciso perguntar onde existe desperdício, quais despesas podem ser melhor administradas e quais políticas realmente produzem resultados para a população.
Outro ponto importante é o salário mínimo.
Quando o salário mínimo aumenta, milhões de brasileiros passam a ter um pouco mais de renda para consumir. Isso pode movimentar o comércio e ajudar a economia. Porém, o aumento também gera impacto nas despesas públicas, principalmente porque vários benefícios estão vinculados ao salário mínimo.
Por isso, acredito que o país precisa buscar um equilíbrio. O trabalhador precisa ter ganho real de renda, mas esse aumento precisa estar acompanhado de crescimento da produtividade e de uma política fiscal que consiga sustentar as despesas no longo prazo.
E existe ainda uma questão que não podemos ignorar: o preço dos alimentos.
Não adianta falar que o salário aumentou se o trabalhador chega ao supermercado e descobre que seu dinheiro compra cada vez menos. Para quem ganha pouco, alguns reais a mais no preço da carne, do arroz, do café ou do leite fazem uma diferença enorme no orçamento.
É por isso que também vejo com preocupação uma política de juros muito elevados durante muito tempo.
A política monetária é necessária para controlar a inflação. O Banco Central precisa ter credibilidade e combater pressões inflacionárias. Mas juros altos também encarecem o crédito, dificultam investimentos e podem desacelerar o crescimento econômico.
Na minha visão, o Brasil precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre política fiscal e política monetária.
Não adianta o governo tentar estimular a economia sem responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, esperar que os juros caiam rapidamente. Da mesma forma, não acredito que juros elevados sejam uma solução permanente para todos os problemas da economia.
O país precisa crescer.
E crescimento econômico é importante também para a dívida pública. Se a economia cresce, a arrecadação tende a aumentar e a relação entre dívida e PIB pode melhorar. Por isso, o ajuste fiscal não deveria olhar somente para o corte de despesas, mas também para a capacidade do Brasil de crescer de maneira sustentável.
Minha opinião é que o Brasil precisa de responsabilidade fiscal, mas também de responsabilidade social.
Precisamos controlar a dívida, melhorar a qualidade dos gastos públicos, preservar investimentos importantes, aumentar a produtividade, fortalecer o emprego e garantir que o trabalhador não perca poder de compra.
No final, a economia não é apenas uma discussão sobre números.
A dívida pública aparece nas contas do governo. A Selic aparece nas decisões do Banco Central. O ajuste fiscal aparece no orçamento.
Mas o resultado de tudo isso aparece na vida das pessoas.
É no salário que precisa chegar até o fim do mês. É no preço do supermercado. É na parcela do financiamento. É no emprego. É na possibilidade de uma família melhorar de vida.
Por isso, acredito que o verdadeiro desafio do Brasil não é simplesmente escolher entre gastar ou cortar.
É aprender a gastar melhor, controlar o que precisa ser controlado e criar condições para que a economia volte a crescer.
Essa, na minha visão, deveria ser a prioridade.

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