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| Foto - Divulgação. |
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, sinalizou que não deve disputar as eleições de 2026, desistindo inclusive de uma possível candidatura à Presidência da República. Segundo ele, a prioridade será concluir seu segundo mandato à frente do estado.
A decisão ocorre em um cenário político já ocupado por nomes fortes no cenário nacional, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, o que pode ter pesado na escolha de não entrar na disputa.
Além disso, dois fatores principais influenciaram diretamente essa decisão. O primeiro envolve a família. De acordo com aliados, o apresentador Ratinho, pai do governador, sempre foi contrário a uma candidatura presidencial, temendo a exposição dos negócios da família em nível nacional.
O segundo ponto é a sucessão estadual. Sem poder disputar a reeleição, Ratinho Jr. enfrenta dificuldades para consolidar um sucessor competitivo. Por isso, decidiu permanecer no cargo para manter controle político do processo.
Caso deixasse o governo, o comando do estado passaria ao vice-governador Darci Piana. No entanto, a avaliação interna é de que ele não teria força suficiente para conduzir a sucessão, o que também pesou na decisão.
Apesar de afirmar que possui cerca de 85% de aprovação, a desistência da disputa nacional levanta questionamentos. Em geral, lideranças com alta popularidade buscam novos desafios políticos. A ausência desse movimento abre espaço para críticas sobre a confiança do governador em sua própria força eleitoral.
Outro ponto de crítica envolve decisões de sua gestão, como a privatização da Copel e os altos valores dos pedágios no estado. Para opositores, essas medidas teriam desgastado sua imagem, principalmente no segundo mandato.
Ratinho Jr. ainda não indicou quem será seu possível sucessor ao Palácio Iguaçu, o que amplia as especulações dentro da base governista. Entre os nomes cotados estão o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi; o secretário de governo, Guto Silva; e o secretário de Saúde, Beto Preto.
Outro nome que já esteve no radar foi o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que recentemente se filiou ao MDB para fortalecer sua posição na disputa.
Pelo lado da oposição, o cenário também se movimenta. O deputado Requião Filho aparece como nome do PDT, enquanto o senador Sérgio Moro surge como um dos candidatos mais fortes. Nos bastidores, há especulações de que Moro possa se aproximar do PL, ampliando alianças com o grupo ligado a Flávio Bolsonaro.
Diante desse cenário, Ratinho Jr. sabe que enfrentaria uma disputa difícil em nível nacional. Por isso, aposta em sua permanência no governo para usar sua popularidade — estimada por ele em 85% — e a estrutura estadual para influenciar diretamente a eleição no Paraná e tentar viabilizar um sucessor competitivo.
Com isso, a eleição de 2026 no estado começa a ganhar forma, com um cenário aberto, disputas internas e articulações que prometem movimentar intensamente os bastidores da política paranaense nos próximos meses.