Crônica Esportiva do Robson Macedo - Nem a goleada salva.

 O placar dizia 8 a 0. Um massacre. Um atropelo. O Flamengo fez o que se espera de um gigante diante de um adversário mais frágil: dominou, empurrou, construiu o resultado sem sustos. Parecia treino de luxo em noite  de domingo.

A torcida comemorava os gols, mas não comemorava o momento. Porque, às vezes, o futebol vai além do placar. E o placar elástico não apaga as feridas abertas nas semanas anteriores.

Pedro brilhou, a bola entrou de todo jeito, o time foi à final do Carioca. Mas o ambiente não era de festa completa. Era como se cada gol carregasse junto uma pergunta: “E nas decisões? E nos jogos grandes?”

A temporada começou torta. Derrotas pesadas, títulos escapando, atuações abaixo do esperado para um elenco milionário. A pressão virou rotina. E no futebol brasileiro, quando a pressão aperta, alguém paga a conta. O treinador foi o escolhido.

O Flamengo atropelou o Madureira, mas ainda tenta atropelar a própria desconfiança. Vai à final. Mas chega pressionado. No fim das contas, a goleada foi barulhenta no placar — mas silenciosa na confiança.

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