Se Ormuz fechar, o agro brasileiro paga a conta.

 A ameaça do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, caso os Estados Unidos ataquem suas instalações, não é apenas mais um capítulo da tensão no Oriente Médio. É um alerta direto para a economia mundial — e, principalmente, para o agronegócio brasileiro.

Pode parecer distante, mas não é. O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais estratégicas do planeta. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Fechar essa passagem é como desligar uma das principais torneiras de energia global.

E quando o petróleo para ou diminui, o preço dispara. É automático.

No Brasil, o impacto chega rápido ao campo. O diesel, que move tratores, colheitadeiras e caminhões, fica mais caro. O frete sobe. O custo de produção dispara. E o produtor, que já trabalha com margens apertadas, sente no bolso.

O problema não para por aí. Fertilizantes também entram na conta. Muitos deles dependem de cadeias internacionais que passam por regiões afetadas por conflitos. Com instabilidade, o preço sobe e o acesso fica mais difícil.

O cenário, que já preocupa, pode piorar. Em estados como Santa Catarina, já há relatos de produtores que precisaram parar máquinas por dias — até semanas — por causa da falta de diesel e do preço elevado. É a prova de que uma crise internacional não demora a chegar dentro da porteira.

E a soja? Pode até subir no mercado internacional com o aumento das tensões. Mas isso não significa ganho garantido. O custo de produção sobe junto — e, muitas vezes, mais rápido do que o preço da commodity.

Além disso, em momentos de crise, o dólar dispara. Isso ajuda nas exportações, mas encarece tudo que o produtor precisa comprar: combustível, insumos, peças.

No fim, o produtor brasileiro vira refém de uma guerra que acontece a milhares de quilômetros de distância.

Se o Estreito de Ormuz realmente fechar, o impacto não será apenas geopolítico. Será econômico, direto e pesado. E, mais uma vez, quem está no campo vai sentir primeiro.

Porque no agro, diferente da política internacional, não existe discurso. Existe custo. E a conta sempre chega.

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