A saúde pública é um direito fundamental de todos os cidadãos. Em Borrazópolis, porém, a organização dos atendimentos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Cassarotti tem gerado questionamentos e preocupação entre os moradores.
Atualmente, a unidade conta com dois médicos. Um atende às segundas, terças e quintas-feiras, enquanto o outro atende às quartas, quintas e sextas-feiras. Nas quintas-feiras, ambos atendem apenas no período da manhã, pois à tarde realizam visitas. Essa escala, por si só, já exige planejamento para garantir que a população seja atendida adequadamente.
O problema se agrava quando um dos médicos precisa se afastar por motivos de saúde. Em algumas ocasiões, sua ausência se estende por vários dias, aumentando ainda mais a demanda acumulada. Muitos pacientes aguardam justamente o dia em que esse profissional atende para realizar suas consultas e, quando ele não comparece, acabam ficando sem atendimento. Em outros casos, não há vagas disponíveis no mesmo dia, e o outro médico, que atende em dias diferentes, também não consegue absorver a demanda.
Diante disso, alguns moradores procuram outras UBSs, mas são informados de que não podem ser atendidos porque não pertencem à área de abrangência daquela unidade. Essa situação causa insegurança e deixa pessoas sem alternativas, especialmente quando precisam de atendimento e não podem esperar. Nas sextas-feiras, por exemplo, quando não há médico disponível em determinadas unidades, a população enfrenta ainda mais dificuldades.
A saúde não pode esperar. É compreensível que existam regras de organização territorial e agendas previamente definidas, mas é necessário haver mecanismos de acolhimento e encaminhamento para situações em que o paciente esteja sem condições de aguardar ou não consiga atendimento em sua unidade de referência. Ninguém deve ficar desassistido por falta de flexibilidade do sistema.
Na sessão da Câmara Municipal, realizada como de costume às terças-feiras, os vereadores criticaram a situação da saúde e receberam diversas reclamações da população. Antes da reunião, o prefeito Didi realizou um encontro com os responsáveis pela área da saúde, entre eles o secretário municipal de Saúde, André Pereira, e o vice-prefeito Valdinei. Não sabemos exatamente o que foi discutido, mas, após ser questionado por Robson Macedo sobre a transmissão da reunião em que a saúde foi criticada, o prefeito confirmou que havia se reunido com a equipe responsável pela área.
Essa reunião representa uma iniciativa importante, mas é fundamental que o diálogo resulte em medidas concretas. Entre elas, estão a criação de alternativas para atender pacientes quando um médico estiver afastado, a reorganização temporária das agendas, o reforço das equipes quando necessário e a possibilidade de atendimento em outra UBS em casos devidamente avaliados.
A população também espera que o prefeito reserve um tempo para visitar as unidades de saúde, acompanhar de perto o funcionamento dos serviços e ouvir tanto os profissionais quanto os moradores. Essa presença pode ajudar a identificar problemas que nem sempre aparecem nos relatórios e a buscar soluções mais adequadas à realidade de cada unidade.
Borrazópolis precisa avançar na busca por um atendimento mais humano, organizado e acessível. Esta não é uma crítica para desmerecer os profissionais, que também enfrentam dificuldades, mas uma manifestação de preocupação com a população. Afinal, a saúde não espera, e o cuidado com a vida deve estar sempre em primeiro lugar.
Reconhecer os avanços também é importante. A administração municipal vem realizando um trabalho positivo, buscando recursos, atendendo às demandas e enfrentando problemas em diferentes setores do município. No entanto, a área da saúde parece exigir uma atenção especial neste momento, diante das dificuldades relatadas pela população. A expectativa é que, após a reunião realizada pelo prefeito com os responsáveis pelo setor, sejam adotadas medidas capazes de melhorar o atendimento e oferecer mais segurança aos moradores. A população espera que o diálogo se transforme em resultados concretos, para que Borrazópolis continue avançando e a saúde receba a atenção que merece. Afinal, cobrar melhorias também é uma forma de contribuir para o desenvolvimento do município.
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