Por Robson Macedo
O que está acontecendo com o Palmeiras?
Essa é a pergunta que o torcedor palmeirense precisa fazer depois do empate contra o Mirassol. Afinal, onde foi parar aquele Palmeiras que, há poucas rodadas, goleou o Vasco por 4 a 1, apresentou um futebol convincente e abriu seis pontos de vantagem sobre o Flamengo na liderança do Campeonato Brasileiro?
Naquele momento, parecia que o Verdão tinha assumido definitivamente o controle da competição. O Flamengo havia perdido para o Cruzeiro por 2 a 1, e o Palmeiras aproveitou a oportunidade para abrir uma gordura importante na tabela.
Depois veio a Copa do Brasil. Nas quartas de final, o Palmeiras enfrentou o Santos no Clássico da Saudade e não tomou conhecimento do Peixe: 3 a 0, com autoridade. O time foi para cima, criou oportunidades e praticamente encaminhou a classificação para a semifinal.
Era o Palmeiras que o torcedor queria ver.
E Abel Ferreira deixou claro: força máxima nas três competições. Nada de poupar. Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil seriam tratadas com a mesma importância.
Mas alguma coisa aconteceu no caminho.
O Palmeiras começou a perder peças. Arias sofreu uma entorse e virou desfalque. Piquerez também ficou fora. E Allan foi vendido ao Manchester City, deixando mais uma lacuna no elenco.
Mesmo com os desfalques, não dá para aceitar a atuação contra o Mirassol.
O Mirassol é uma equipe que está lutando contra o rebaixamento. O Palmeiras é líder do Campeonato Brasileiro e precisa se impor diante de adversários desse nível.
Mas não foi isso que aconteceu.
O Verdão fez um primeiro tempo muito ruim. O time não apresentou intensidade, criatividade ou organização suficiente para controlar a partida. E, na segunda etapa, a situação também não melhorou como deveria.
O empate por 1 a 1 foi um resultado ruim para o Palmeiras.
Não apenas pelos dois pontos desperdiçados, mas principalmente pelo momento da competição.
A vantagem que era de seis pontos caiu para quatro. E o Flamengo ainda tem um jogo a menos.
E aqui está o grande problema: o Palmeiras está dando vida ao Flamengo.
O time carioca ainda terá um jogo atrasado contra o Mirassol, em casa. Se vencer, ficará apenas um ponto atrás do Verdão. Na rodada seguinte, o Palmeiras terá um compromisso complicado contra o Botafogo, fora de casa, enquanto o Flamengo enfrentará o Remo também fora.
Ou seja: a liderança que parecia confortável pode desaparecer rapidamente.
Se o Palmeiras tropeçar novamente e o Flamengo fizer a sua parte, podemos ter uma mudança de líder.
E Abel Ferreira sabe disso.
O treinador precisa encontrar soluções rapidamente.
Vitor Roque precisa ir para o banco
Outro ponto que precisa ser discutido é Vitor Roque.
Não adianta insistir em um jogador que claramente atravessa um momento ruim. O atacante ainda não está em sua melhor forma e não vem conseguindo entregar aquilo que se espera dele.
Isso não significa que Vitor Roque seja um jogador ruim. Significa apenas que ele precisa recuperar a confiança e talvez começar algumas partidas no banco.
Por que não testar outra formação?
Por que não utilizar jogadores da base?
Por que não dar oportunidade a Heitor?
O Palmeiras possui jogadores jovens que precisam ser observados. Se o esquema atual não está funcionando, Abel precisa ter coragem para mudar.
Insistir sempre na mesma fórmula não é convicção. Às vezes, é teimosia.
Abel é um treinador vencedor e já mostrou inúmeras vezes que sabe encontrar soluções. Mas justamente por isso o torcedor espera mais dele neste momento.
O Palmeiras precisa contratar
Depois do empate contra o Mirassol, Abel foi questionado sobre a necessidade de reforços e afirmou que não considera necessário contratar.
Discordo.
O Palmeiras precisa de reforços.
Principalmente no setor ofensivo.
A saída de Allan deixou uma lacuna no elenco, e o Palmeiras precisa de mais opções, especialmente pelas pontas. Um time que pretende disputar Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil simultaneamente precisa ter um elenco forte e equilibrado.
Não dá para depender sempre dos mesmos jogadores.
Lesões, suspensões, desgaste físico e queda de rendimento acontecem durante uma temporada. E quando isso acontece, o treinador precisa olhar para o banco e encontrar alternativas.
Hoje, o Palmeiras parece ter menos opções do que deveria para um time que quer conquistar três competições.
Contra os grandes, tudo bem. Contra os pequenos, não!
É evidente que jogar contra os melhores times do Campeonato Brasileiro é difícil.
Contra Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG e outros grandes clubes, é normal encontrar partidas equilibradas e complicadas.
Mas existe uma diferença entre perder pontos para um concorrente direto e perder pontos contra equipes que estão lutando contra o rebaixamento.
O Palmeiras não pode desperdiçar pontos contra times do Z-4 ou que estão próximos dele.
Foi justamente isso que aconteceu contra o Mirassol.
O Verdão poderia ter vencido.
E talvez seja justamente esse tipo de resultado que, lá na frente, faça falta na briga pelo título.
A hora de reagir é agora
O campeonato ainda não acabou. O Palmeiras continua na liderança e segue vivo nas três competições.
Mas o torcedor não pode ignorar os sinais.
O time que goleou o Vasco por 4 a 1 e o Santos por 3 a 0 parecia uma equipe dominante. O Palmeiras que enfrentou o Mirassol parecia outra equipe.
E é isso que preocupa.
O Verdão precisa recuperar intensidade, organização, confiança e principalmente fome de vitória.
Abel precisa mexer no time. Precisa encontrar alternativas. Precisa olhar para a base. Precisa avaliar Vitor Roque. E a diretoria precisa avaliar seriamente a possibilidade de contratar.
Porque o Flamengo está chegando.
E quando um adversário está apenas esperando um tropeço para assumir a liderança, não dá para continuar jogando futebol abaixo do que o elenco pode apresentar.
O Palmeiras ainda depende de si.
Mas precisa acordar.
A gordura acabou. A vantagem diminuiu. O Flamengo está logo atrás.
Agora é hora de jogar como líder.
Porque se continuar desperdiçando pontos como contra o Mirassol, o Palmeiras pode descobrir da pior maneira possível que, no futebol, uma vantagem de seis pontos pode desaparecer muito mais rápido do que se imagina.
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