Na minha avaliação, o problema do Flamengo não foi apenas a eliminação nos pênaltis. O time jogou mal nos dois confrontos, tanto na ida quanto na volta, e demonstrou dificuldades para enfrentar um Estudiantes que soube se organizar defensivamente e aproveitar as limitações do adversário.
No primeiro tempo do jogo de ida, o Flamengo teve dificuldades para finalizar e praticamente não ameaçou o gol argentino. O Estudiantes criou oportunidades e mostrou que poderia complicar a vida do Rubro-Negro. O Flamengo conseguiu segurar o resultado, mas não apresentou um futebol convincente.
Na partida de volta, a situação não foi muito diferente. O time voltou a ter dificuldades ofensivas, criou poucas oportunidades no primeiro tempo e encontrou problemas para superar a defesa argentina. O Estudiantes chegou a acertar uma bola na trave e mostrou que também poderia levar perigo.
A expulsão de Baltasar Rodríguez, aos quatro minutos do segundo tempo, deveria ter mudado o panorama da partida. Com um jogador a mais, o Flamengo precisava aumentar a pressão, movimentar a bola com velocidade e tentar abrir espaços na defesa adversária.
Mas isso não aconteceu como deveria. O Flamengo teve dificuldades para criar jogadas individuais, finalizou pouco e não soube aproveitar a vantagem numérica. Para ganhar uma partida, é preciso chutar a gol, criar oportunidades e colocar o goleiro adversário em dificuldade. O Flamengo fez pouco disso.
Outro ponto que merece crítica é o trabalho de Leonardo Jardim. Na minha opinião, o treinador demorou para mexer na equipe e, quando fez as alterações, não conseguiu encontrar a solução para os problemas ofensivos.
Jardim retirou Pedro, Samuel Lino e Carrascal e colocou Plata, Arrascaeta e Joaquín Freitas. Eu teria mantido o trio por mais tempo, apesar das dificuldades que a equipe já apresentava no ataque. Além disso, considerava importante avaliar a participação desses jogadores em uma eventual disputa por pênaltis.
A entrada de Plata produziu uma das melhores oportunidades do Flamengo. Aos 36 minutos do segundo tempo, ele recebeu um passe de Paquetá e cabeceou para uma grande defesa de Muslera. Foi praticamente a chance que o time precisava aproveitar para evitar a decisão por penalidades.
Também considero questionável a escolha dos cobradores. Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique foram as apostas de Leonardo Jardim, mas os três tiveram suas cobranças defendidas por Muslera. É verdade que o goleiro argentino teve grande mérito, mas o desempenho dos cobradores aumentou a frustração de uma torcida que esperava uma classificação.
Enquanto o Flamengo decepcionou, o Estudiantes merece todos os elogios pela postura em campo. A equipe argentina mostrou experiência em competições continentais, força mental e organização tática. Com um jogador a menos, fechou os espaços, montou uma defesa compacta e suportou a pressão rubro-negra.
O Estudiantes não precisou dominar a partida para conseguir seu objetivo. Soube sofrer, fez as alterações necessárias e levou a decisão para os pênaltis, onde Muslera decidiu o confronto. Foi uma demonstração de que organização e determinação podem fazer a diferença mesmo quando uma equipe está em desvantagem numérica.
Agora, o Flamengo precisa virar a página e concentrar suas forças no Campeonato Brasileiro. O time continua na briga pela liderança, com apenas um ponto de vantagem sobre o Palmeiras, e não pode deixar que a eliminação comprometa o restante da temporada.
O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, em casa. A vitória é fundamental para manter a liderança, enquanto um empate ou uma derrota podem complicar a situação rubro-negra. O desafio será reagir rapidamente diante de um adversário que também vem apresentando bom desempenho no campeonato.
Minha conclusão é que o Flamengo não foi eliminado apenas porque perdeu nos pênaltis. A equipe falhou ao longo dos dois jogos, criou poucas oportunidades e não conseguiu aproveitar a vantagem de ter um jogador a mais no Maracanã. Leonardo Jardim precisa rever suas decisões, e os jogadores precisam demonstrar mais iniciativa e eficiência.
O Estudiantes fez história porque soube aproveitar o momento, enquanto o Flamengo desperdiçou uma oportunidade importante. A torcida rubro-negra tem motivos para lamentar, e a comissão técnica tem muito a analisar.
No futebol, não basta ter mais jogadores em campo ou contar com o apoio de milhares de torcedores. É preciso jogar bem, criar chances e fazer gols. O Flamengo não conseguiu cumprir essa missão, e o Estudiantes acabou premiado pela sua valentia.

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