Trump autoriza tarifas e transforma o petróleo em arma política.

Foto - Divulgação.
 Na quinta-feira, dia 29, uma canetada em Washington atravessou fronteiras e oceanos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estado de emergência nacional e, com isso, abriu caminho para tarifas contra países que fornecem petróleo a Cuba. Não é apenas uma medida econômica; é um gesto político, carregado de recados e intenções.

Ao criar um novo sistema tarifário, os Estados Unidos deixam claro que o alvo não é somente Cuba, mas qualquer país que, direta ou indiretamente, mantenha o abastecimento energético do país caribenho. O petróleo, mais uma vez, vira instrumento de pressão, e o comércio internacional se transforma em arma diplomática.

O discurso oficial fala em segurança nacional e em política externa, palavras que soam técnicas, quase frias, mas que escondem decisões capazes de afetar economias inteiras. Países que negociam energia passam a ser observados não apenas como parceiros comerciais, mas como possíveis alvos de sanções, caso não se alinhem aos interesses norte-americanos.

Há, no entanto, uma porta entreaberta. A Casa Branca afirma que as tarifas podem ser revistas se Cuba e os países envolvidos adotarem “medidas significativas”. O problema é que esse conceito nunca vem com manual de instruções. O que significa, afinal, alinhar-se? Até que ponto a soberania de um país pode ser negociada para evitar punições econômicas?

No centro do argumento, o governo dos EUA acusa o regime cubano de promover instabilidade, apoiar atores hostis e ameaçar a ordem regional. É uma narrativa conhecida, repetida ao longo de décadas, que agora ganha uma nova roupagem: o controle do petróleo como forma de contenção política.

Assim, o mundo observa mais um capítulo em que tarifas não servem apenas para equilibrar balanças comerciais, mas para desenhar limites, impor escolhas e lembrar quem, no tabuleiro global, tem o poder de apertar ou afrouxar o cerco. Porque, no fim, quando o petróleo entra em cena, a política deixa de ser abstrata — ela passa a ter preço, rota e destinatário.

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