Crônica Esportiva do Robson Macedo - A noite em que o Palmeiras foi Palmeiras

A noite em que o Palmeiras foi Palmeiras

Dérbi não se joga, se sobrevive. E o Palmeiras sobreviveu. Mais do que isso: foi cirúrgico, frio e decisivo no momento em que precisava ser. Em uma arena tomada pelo barulho, pela pressão e pela confiança corintiana, o Verdão fez o que times grandes fazem: suportou o sufoco, esperou o erro e matou o jogo.

Os primeiros minutos foram de tensão. O Corinthians, empurrado pela torcida, foi para cima como manda o roteiro. Pressão, bolas levantadas, tentativas rápidas. Era o típico cenário em que muitos se perdem. O Palmeiras, não. Mesmo acuado em alguns momentos, manteve a organização, fechou os espaços e teve em Carlos Miguel um verdadeiro paredão, daqueles que crescem em jogo grande.

Quando veio o pênalti, parecia que a noite ia desandar. Mas futebol também é psicológico, e ali o Palmeiras mostrou força. O erro do rival foi mais do que uma bola para fora: foi um recado de que aquela noite não seria fácil para o Timão.

No segundo tempo, o Verdão voltou diferente. Mais compacto, mais inteligente e com leitura de jogo. Não precisava ter a bola o tempo todo. Precisava saber o que fazer com ela. E soube. Aos poucos, foi esfriando o jogo, tirando a empolgação do rival e fazendo o tempo trabalhar a seu favor.

Até que o erro veio. E em clássico, erro se paga caro. A defesa corintiana cochilou, o Palmeiras acelerou, o chute saiu, o rebote apareceu e Flaco López, no lugar certo, empurrou para o gol. Silêncio. Um daqueles silêncios que doem mais do que vaia.

Depois do gol, restou ao Palmeiras administrar. Fechou a casa, controlou o nervosismo e deixou o relógio correr. O Corinthians tentou, mas esbarrou em uma defesa sólida e em um time que sabia exatamente o que estava fazendo.

No fim, não foi um jogo de espetáculo. Foi um jogo de personalidade. De maturidade. De quem entende que clássico se vence com cabeça fria e coração quente.

O Palmeiras saiu classificado, vitorioso e, acima de tudo, reafirmando sua identidade. Porque naquela noite, mais uma vez, o Palmeiras foi Palmeiras.

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