Crise na soja preocupa produtores em Borrazópolis.

A situação da soja em Borrazópolis é preocupante. A forte estiagem e a falta de chuvas em toda a região afetaram diretamente os produtores rurais. Muitos agricultores que plantaram a soja mais cedo já registram perdas superiores a 60% na produção.

A realidade no campo mudou drasticamente. Nas safras de 2021/2022, quando o clima colaborou, levava de 15 a 20 minutos para encher a graneleira da colheitadeira e poucos minutos depois já se completava um caminhão. Hoje, em muitos casos, é preciso praticamente o dia inteiro para encher um único caminhão. A produtividade despencou.

Atualmente, muitos produtores estão colhendo no máximo 130 sacas por alqueire — e não passa disso. O grão está leve, com pouco peso. Quando chega ao armazém, a quebra por impureza e umidade reduz ainda mais o rendimento, diminuindo o retorno financeiro do agricultor.

A situação é ainda mais difícil para quem trabalha com arrendamento, pagando entre 60 e 70 sacas por alqueire. Com a produção baixa, muitos já operam no prejuízo.

Além da quebra na lavoura, o preço da soja também está em queda. Hoje a saca gira em torno de R$ 112.

O preço está caindo porque há excesso de oferta no mercado. Países como China, Estados Unidos, Israel e o próprio Brasil tiveram alta produção nos últimos anos. Quando a oferta (quantidade disponível para venda) é maior que a demanda (quantidade que o mercado quer comprar), o preço tende a cair.

Ou seja: muita soja no mercado + compradores pagando menos = preço mais baixo.

Diante desse cenário, produtores já falam em prorrogação de dívidas, que podem chegar a milhões de reais no município. Há quem defenda que as autoridades municipais, como prefeito e vereadores, busquem apoio junto ao governo estadual e federal, inclusive estudando a possibilidade de decreto de situação de emergência, para tentar minimizar os prejuízos do setor.

A crise no campo é real — e quando o agricultor sofre, toda a economia local sente o impacto.

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